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Com a chegada do inverno, a temperatura começa a cair mais nos próximos meses, e de acordo com informações do site Clima Tempo, a temperatura mínima esperada nestes meses é de 12°C.

A sensação de frio será maior nos próximos dias e nesta época, os moradores de rua são alguns dos que mais sofrem com a chegada do inverno e das temperaturas baixas.

Apesar dos abrigos muitos moradores de rua tentam driblar frio se juntando na hora de dormir, pois por diversos motivos não querem passar a noite por lá. Leva – los para os abrigos nem sempre é tarefa fácil.
A resistência é constante.  A rua acaba garantindo uma liberdade que muitas vezes, o serviço que propõe reorganizar a vida, a rotina de trabalho e o retorno a convivência social podem não estar nesse momento ainda. Então, é preciso voltar todos os dias e oferecer os serviços até conseguir a adesão.

 

 

 

No trânsito frenético de São Paulo, um carro chama a atenção em meio ao concreto cinzento. O colorido alegre reflete a personalidade carismática do dono. No volante, Sérgio da Silva Bispo segue um destino impressionante. Ele foi abandonado pelos pais, nunca frequentou a escola e já morou nas ruas. É um vitorioso. A frase na lataria do carro explica tudo: “Lixo não existe”. Bispo venceu na vida como catador.

O trajeto ele conhece nos calos da mão. É o mesmo caminho que fez durante dez anos puxando um carrinho. A realidade dele já foi mesmo bem mais pesada. Hoje, com o carro e muito planejamento, a coleta cresceu. Ou como ele gosta de falar, se profissionalizou.

“Não só faço a coleta seletiva, faço a gestão de resíduo. O resíduo que eu vou levar, vou pesar, vou mandar relatório. Resíduo que não for reciclável, eu vou encaminhar para dar o destino correto”

A primeira parada do dia é um restaurante, onde ele recolhe os resíduos duas vezes por semana. O chef de cozinha Antônio Carlos Galvão conta que a parceria é baseada na confiança.

Bispo orientou o descarte seletivo no restaurante. Ele explica que a comida não pode se misturar com garrafas, plástico ou papelão.

“Cada dia mais o resíduo vai melhorando a qualidade e o lixo não vai existindo. A ideia é nunca mais existir o lixo. Resíduo              é matéria-prima, lixo não existe”.

Na hora de pegar no pesado, Bispo não perde tempo. Em poucos minutos o depósito fica vazio. A kombosa, como ele chama o carro, é carregada para seguir até o próximo ponto de coleta.

“Hoje eu consigo ter uma kombosa, fazer a gestão e mostrar para a sociedade qual a importância do nosso trabalho”,                        afirma.

Existem cerca de 800 mil catadores no Brasil, uma profissão reconhecida pelo Ministério do Trabalho, mas que ainda sofre muito preconceito.

Felizmente, os catadores não recolhem só intolerância e hostilidade nas ruas. Muitas vezes, pelo caminho, vão juntando provas de amizade.

Fonte: http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2017/04/ex-morador-de-rua-vence-na-vida-como-catador-de-material-reciclavel.html

Eles protegem seus donos e muitas vezes são seus únicos amigos verdadeiros.  Entenda por que o apego e a ternura entre homem e cachorro são mais fortes nas ruas.
Para quem vive nas ruas, cuidar de um cão pode ter diversas funções: no caso de Samuel, seus companheiros guardam a praça onde dorme e ajudam diariamente na busca por comida.

Era tarde da noite, Samuel dormia em sua barraca montada em um canto de uma praça na região central de São Paulo. Do lado de fora, um homem percebeu que o lugar estava vulnerável e resolveu aproveitar a oportunidade: se esgueirou pela fresta da tenda de lona e, com uma faca na mão, gritou ameaças. Assustado e com sono, Samuel pouco poderia ter feito para evitar o delito. Mas seu companheiro estava em alerta. Costela é um dos quatro cães que vivem com o morador de rua e guardam a praça de madrugada. Ele percebeu logo que o estranho era mal-intencionado. Não apenas latiu e rosnou para o homem, como também avançou em seu braço. Ao expulsar o invasor, Costela fez bem mais do que simplesmente proteger seu território. Ele também possivelmente salvou a vida de seu dono.

A proteção é apenas uma das facetas da relação mantida entre aqueles que vivem nas ruas e seus animais. Além de guardarem seus donos dos perigos, os cães se mostram seus companheiros inseparáveis. São muitas vezes considerados por essas pessoas como o único ser vivo no qual podem confiar plenamente. Em troca de todo o carinho e amor que recebem, eles dedicam a seus amigos humanos um grau de lealdade que parece não ter limites.

Há cerca de quatro meses, Lobinha entrou no cio e atraiu à praça três machos, que acabaram ficando por lá. O Brisa é branco e preto, tem um quê de dálmata e, segundo o morador, é o “dono do pedaço”. Ele protege a Lobinha quando ela está no cio e, em troca, conquistou o privilégio de ser o único a cruzar com ela. E pelo visto tem dado conta do recado: a cadela já espera filhotes. Os outros são o Costela, seu maior protetor, um cão bege de pêlo mais longo que, de acordo com Samuel, tem mais sensibilidade para descobrir a maldade nas pessoas, e o Alemão, também bege, de pelagem curta e porte menor. Irreverente, Samuel ensinou até inglês aos seus cães: ao invés de chamá-los pelo clássico “vem”, ele usa “come on” e, quando quer que parem, diz “stop”.

No trato com a comida é que a intensidade da relação homem-animal nas ruas fica mais evidente. É comum um mendigo ganhar um pão e, mesmo com fome, dividi-lo com seu cachorro. Samuel conta que, em sua busca diária por algo para comer, seus quatro amigos o ajudam muito. “Eles me avisam qual saco de lixo tem comida, começam a cheirar e a latir”, diz.

Mesmo não sendo tão bem tratado pelos amigos de José Eduardo, o cachorro não retribui da mesma maneira. O morador, de 33 anos, mencionou um episódio envolvendo um de seus colegas no qual a participação de Jerônimo foi decisiva. “Um dia, um amigo estava dormindo em um lugar meio alto e caiu, ralou todo o rosto. Ele veio e latiu para me avisar”, relata. Ainda assim, o vínculo mais forte e fiel é com o dono. Segundo ele, além de guardar seus pertences, o cão é seu maior companheiro. “Se for andando daqui até o Japão, ele vai junto”, diz. Nas palavras de José, a relação entre os dois é de amor, carinho, afeto e confiança. O motivo de tamanho envolvimento, de acordo com o homem, é simples: “porque ele confia em mim”.

Ele afirma que seu cão é quem manda ali, basta pedir para “pegar” que ele avança, tanto em cachorros quanto em pessoas. Para demonstrar que não estava exagerando, gritou “pega” e, de imediato, o animal partiu para cima de Jerônimo. Antes que o outro pudesse se machucar, ordenou que parasse, e a resposta foi instantânea. Quando se vive nas ruas, ter um protetor leal, forte e obediente pode fazer toda a diferença.

O encontro dos dois aconteceu de forma inusitada há cerca de oito anos: o morador de rua andava com sua carroça por uma favela no bairro da Água Branca, próximo à Marginal Tietê, quando notou que a estrutura estava balançando. Quando foi checar, deu de cara com Jow comendo suas marmitas. Por incrível que pareça, não houve briga entre os dois, e desde então não se separaram. “Ele tem o mesmo nome que eu”, diz o homem, emocionado. “Esse cachorro é meu melhor amigo, ele me defende. É melhor que minha família”.

Fonte: http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,ERT335795-18071,00.html

Foto: Alexandre Severo/Ed. Globo

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