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Na manhã desta sexta-feira 14 cerca de 20 homens da Guarda Civil Metropolitana (GCM) invadiram, de forma truculenta, o Centro Comunitário São Martinho de Lima, na Mooca, zona leste de São Paulo. Segundo testemunhas, o tumulto começou ainda na rua, quando guardas tentaram recolher os pertences de um grupo de moradores de rua. Chovia forte no momento da ação.

O padre Júlio Lancellotti, membro da Pastoral Povo da Rua, foi chamado quando o tumulto aumentou e os guardas começaram a agir com violência. Segundo o padre, os guardas o reconheceram, referindo-se a ele como “padre de merda”.

“O reforço da GCM veio com bala de borracha, bomba de gás e pistola de choque para o confronto com o povo de rua”, informou padre Júlio, com a voz abatida. “Eles bateram com cassetete, deram socos e cuspiram, inclusive em mim”.

Assustados, algumas vítimas reagiram com pedras e outros fugiram para o Centro São Martinho, uma organização católica que acolhe diariamente pessoas em situação de rua. “Tentei conversar para impedir que invadissem, mas não funcionou”, contou Lancellotti.

Segundo ele, o confronto foi violento e a GCM invadiu direcionando gás de pimenta aos funcionários e às pessoas acolhidas pela instituição. “Entraram na cozinha e no banheiro, onde estavam as mulheres que ficaram assustadas. Eles foram muito agressivos e houve um confronto muito forte”, explicou.

O gerente administrativo da São Martinho, Emerson Ricardo Ferreira, não estava no local quando o confronto ocorreu, mas conversou com testemunhas e vítimas. Segundo ele, em 28 anos de funcionamento da instituição algo dessa gravidade nunca havia ocorrido.

“Não posso falar sobre o que ocorreu na rua, mas a truculência aqui dentro partiu apenas da GCM. Todos tentaram apaziguar a briga, menos a GCM. Eles entraram com escudos e armas, não houve qualquer tipo de diálogo”, contou Emerson, que também assistiu às gravações. Segundo ele, no momento do ocorrido, havia aproximadamente 30 funcionários e 400 pessoas em situação de rua acolhidas, dentre elas jovens, crianças e mulheres.

Ambos os entrevistados ainda tentam entender o que motivou uma invasão tão violenta. O padre acredita que os guardas tinham como alvo um rapaz que estava entre o grupo que foi agredido ainda na rua.

Segundo Emerson, o Centro São Martinho publicará uma nota de repúdio e fará um boletim de ocorrência. Lancellotti também informou que o Ministério Público entrou em contato, pediu as gravações e um promotor foi contatado. Segundo o padre, o Coronel José Roberto, da Prefeitura de São Paulo também foi informado e alegou que há feridos em ambas as partes.

Já é uma prática conhecida da Prefeitura a retirada de cobertores, roupas, papelões e barracas da população em situação de rua, que necessita desses pertences para se proteger do frio.

Padre Júlio relatou que as ações truculentas por parte da GCM tem sido frequentes em toda a cidade. “Hoje a gente sofreu o que os irmãos de rua sofrem todos os dias: pancadaria, xingamentos e a tomada de pertences”, contou Emerson.

Procurada por CartaCapital, a Guarda Civil Metropolitana não respondeu até o momento da publicação desta matéria.

#Aovivo Entrevista com Padre Julio Júlio Renato Lancellotti

Posted by Adriano Diogo 13222 on Friday, September 14, 2018

Ontem, 26.08, fizemos nossa nona ação do ano, com mais uma entrega de café da manhã para nossos amigos do Ceagesp – Pinheiros.

Como sempre levemos sanduíches, café, suco, kit de higiene, água e ração para cães e gatos.

Entretanto, esse mês inovamos e distribuímos vários livros que nossos amigos adoraram.

Vejam a nossa galeria de fotos: Galeria Di Manhã – Agosto/18

O MPSP obteve, na noite de terça (31/7), no tribunal do Júri de Guarulhos, a condenação de dois homens que tentaram matar um morador de rua em março de 2017. Todos eles viviam na região central da cidade e acabaram se desentendendo. Os acusados e um terceiro indivíduo ainda não identificado armados com barras de ferro e de caibros de madeira partiram  para cima do ofendido para espancá-lo.
A vítima correu por dois quarteirões, mas acabou sendo alcançada pelos homens. Após ter sido atingida por várias vezes, o morador de rua acabou caindo e continuou sendo golpeado pelos três. Após ter ficado prostrado, os agressores pararam de bater e saíram andando normalmente.
Instantes depois, dois deles foram presos e identificados pela Guarda Municipal que acompanhou parte da agressão por intermédio de uma câmera de vigilância que monitora a região. O terceiro agressor tomou rumo diverso e não foi mais localizado.
No júri, os réus sustentaram que não quiseram matar a vítima e que teriam agido para se defender, uma vez que o ofendido teria puxado uma faca para eles.
O promotor do caso, Rodrigo Merli Antunes, refutou todas as teses da defesa e obteve a condenação dos réus por tentativa de homicídio duplamente qualificada (com meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima). Santiago Romulo de Oliveira Prata, por ser multirreincidente, foi condenado a 18 anos de reclusão. Já Michael Pena da Silva, que era primário, foi condenado a 10 anos e 08 meses de prisão. Os dois já estavam presos.
Segundo o promotor, a exibição aos jurados dos objetos utilizados no espancamento foi decisiva para a demonstração da vontade de matar dos agentes. Matérias televisivas exibidas ao júri corroboraram a versão do MPSP.

Fonte: Ministério Público de São Paulo

Um morador de rua de Santos, no litoral de São Paulo, bombou na web após passar por um ‘dia de beleza’ nas mãos de um cabeleireiro da cidade. Uma das imagens, com o ‘antes e depois’ do rapaz, acabou viralizando, já que a aparência do homem foi completamente transformada.

A iniciativa partiu de Alex Gomes da Silva, de 42 anos. Nascido e criado em Santos, o barbeiro se dedica há pelo menos 15 anos em doar tanto o serviço de corte de cabelo quanto a distribuição de sopa a moradores de rua.

Na tarde desta terça-feira (31), porém, Gomes decidiu atender a um pedido de uma amiga, que costuma entregar almoço para o morador de rua registrado no cruzamento das avenidas Washington Luís com Francisco Glicério, no bairro Gonzaga.

“Sabemos que o nome dele é Jovino, e que ele costuma dormir em um albergue aqui da cidade. Já o conhecemos por ele ser fechado, mas foi um dos moradores de rua mais gratificantes de atender”, contou ele ao G1.

O registro feito pela esposa, que também o ajuda nos cortes, ganhou as redes sociais. “Ele não fala, só se expressa por gestos. Mas, aos poucos, foi ganhando confiança e abriu um sorriso quando viu o antes e o depois dele. Isso não tem dinheiro que pague”, conta.

Quando não está se dedicando a ajudar outras pessoas, Gomes atua em seu salão de cabeleireiro, onde também dá aulas de barbearia. Os alunos também participam do projeto, intitulado “Equipe Mãos de Tesoura”.

“Não é só aprender [a cortar cabelo], e sim, ajudar. Fazemos um trabalho bonito, que gera um choque de realidade. Costumamos conversar, perguntar o nome, se têm família, o que fez com que eles fossem para as ruas. Muitos não dizem. Mas, geralmente, é a única conversa que eles têm”, diz.

Recordação da infância

A iniciativa de oferecer sopa e corte de cabelo a moradores de rua nasceu graças a uma lembrança da infância. Gomes conta que, quando pequeno, ao lado da mãe e de seus cinco irmãos, chegou a passar necessidades.

“Para que a gente não passasse fome, nossa mãe nos levava a albergues, onde tomávamos sopa ou comíamos a comida do dia. Anos depois, graças a Deus, tive a oportunidade de servir àqueles com quem já me sentei”, relembra.

Gomes perdeu a mãe há um ano. “Queria que ela visse isso tudo”, diz ele que, quinzenalmente, ao lado da esposa, Jéssica Daval, e dos alunos de barbearia, distribui a boa ação desde o cruzamento onde encontrou Jovino até a região próxima ao Mercado Municipal, no Macuco.

“Minha esposa fica no carro, onde colocamos as panelas de sopa, e posicionamos cinco cadeiras ao lado do carro, na calçada, onde cortamos o cabelo e servimos a comida. São 300 sopas, 300 pães e 300 sucos, além de cobertores. Preparo tudo em casa”, conta.

Para financiar o projeto, Gomes arca com recursos do próprio bolso, já que nem sempre donos de comércios e outras pessoas aceitam ajudar. “Peço nas redes sociais, mas costumo tirar do bolso. Hoje, tenho a ajuda de um amigo, mas é um trabalho grande”, explica.

Mesmo nobre, ele lamenta que a iniciativa seja vista com maus olhos por algumas pessoas. “Muitos reclamam que estamos ajudando vagabundos. Tem que dar, doar, de coração”, justifica. “Conforme você planta, vai enraizando o bem”, finaliza.

Fonte: G1

O Di Alma realizou neste último domingo mais uma ação.

Nos juntamos ao Projeto Meu Aumor e ao Centro de Zoonose de Osasco e, além do café da manhã de todos os meses, vacinamos todos os cachorros dos nossos amigos em situação de rua.

Temos que agradecer ao Meu Aumor e ao Centro de Zoonose por nos ter permitido participar desta linda ação em prol dos animais de rua.

Não podemos deixar de agradecer, também, ao Jean e a Cris que neste mês nos doaram 200 sanduíches para esta distribuição.

É graças a pessoas caridosas como estas que o Di Alma continua a ajudar todos aqueles mais vulneráveis.

Obrigado a todos que colaboram para mais essa ação e aproveite para ver a nossa Galeria Di Manhã – Julho/18

Em Agosto tem mais.

Às 10h, pontualmente como os sinos da catedral, o mais antigo engraxate da praça da Sé abre os trabalhos daquele dia.

O alagoano Lucas Paulino, 85, elegante com seu chapéu de feltro, está lá desde 1954, o ano do 4º Centenário de São Paulo, quando deixou Palmeira dos Índios para arriscar a sorte na cidade grande.

Antes de atender o primeiro freguês, que já está à sua espera, Paulino cumpre calmamente o velho ritual de preparar seu local de trabalho como se fosse uma mesa cirúrgica.

Paulino começa a falar sem esperar a primeira pergunta.

“São Paulo acabou. O Brasil acabou, rapaz. Estou sentindo muito pelos meus bisnetos. Quando cheguei aqui só tinha metade da catedral, foi o Juscelino quem deu o dinheiro para fazer as torres. Meus fregueses usavam terno, gravata e chapéu, era todo mundo muito educado, muito respeitoso. Depois foi mudando tudo, tudo para pior.”

De seu posto de observação no centro da praça, próximo ao Marco Zero da cidade, onde agora uma indigente embriagada está tomando banho de sol num biquíni improvisado, e falando sozinha, Paulino foi vendo a degradação da paisagem humana do velho centro, ano a ano.

Agora, olhando em volta, só vê pivetes andando descalços para lugar nenhum, moradores de rua jogados no chão no meio do lixo, drogados lavando roupa e tomando banho na água suja dos espelhos-d’água, um monte de guardas com diferentes uniformes circulando por todo lado, pastores pregando para ninguém, homens-placa que compram ouro, gente correndo e se espalhando para todo lado quando o helicóptero da polícia sobrevoa a praça.

É a turma da “feira do rolo” itinerante, onde se compra, vende e troca produtos roubados, que se desloca no contrafluxo da polícia, um jogo de gato e rato em clima de constante beligerância.

Em volta do engraxate, sacos de lixo avolumam-se nas calçadas à espera da coleta, junto a pilhas de papelão que servem de cama, cobertores rotos largados no chão, onde muitos ainda dormem no final daquela manhã.

Durante dois dias, a reportagem percorreu 105 km pela região central, onde o ex-prefeito João Doria (PSDB) instalou o projeto Cidade Linda, logo no início do seu mandato de 15 meses.

O slogan contrasta com a realidade das ruas. A praça da Sé nem é o pior exemplo.

A poucos quilômetros dali, no entorno das estações da Luz e Júlio Prestes, onde ficam a Sala São Paulo, a Pinacoteca e o Museu da Língua Portuguesa, o cenário é o de uma cidade abandonada no pós-guerra, no embate permanente entre as forças da ordem e a crescente população de rua, nas calçadas, sob os viadutos e nas praças, arrastando suas tralhas em carroças e carrinhos de supermercado.

Em maio de 2017, após uma grande operação policial, o então prefeito Doria chegou a anunciar o “fim da cracolândia”, mas na verdade deu metástase nesta grande tragédia humana provocada pelo consumo de drogas ao ar livre.

Ela se espalhou por minicracolândias, chegando a Campos Elíseos, Santa Cecília, Barra Funda, Bom Retiro e até Higienópolis, deixando um rastro de sujeira, conflitos e miséria, em meio a um fedor insuportável.

Drogados em fuga permanente agora disputam lugar nas calçadas com famílias de moradores de rua, misturando os “noias” com crianças e idosos das legiões de sem-teto.

É preciso cuidado para ver onde se anda para não pisar nos que passam o dia dormindo nas sarjetas. Na rua Conselheiro Nébias, junto à linha do trem que vai para a Júlio Prestes, dezenas de armazéns abandonados com placas de vende-se e aluga-se estão cercados de sacos de lixo, entulho de obras, pallets e restos de fios de cobre desencapados nas calçadas.

Em volta do Complexo Cultural da Funarte, órgão do Ministério da Cultura, que ocupa todo um quarteirão na rua Apa, em Santa Cecília, mulheres botam para secar roupas e cobertores, enquanto servem comida para os filhos e espantam os cachorros com fome.

Nas floreiras recentemente instaladas na rua dos Gusmões, só não se encontram mais flores: viraram depósito de roupas e servem de cama para os moradores de rua.

Mais adiante, o som do “breganejo” no último volume é o fundo musical das calçadas ocupadas por bancas de marreteiros, que apregoam aos gritos relógios e óculos paraguaios. Depois de uma breve trégua, os camelôs voltaram.

Mas o barulho não é capaz de fazer acordar o homem que dorme um sono profundo na calçada da rua Vitória, sem notar que deitou em cima de um monturo de lixo.

Nas calçadas da Pinacoteca, da Secretaria da Cultura, e do Parque da Luz espalham-se outras minicracolândias com suas barracas formadas por cobertores e papelão.

Ruas são fechadas diariamente pela PM e pela Guarda Municipal para dar segurança aos funcionários da limpeza pública que atiram jatos de água nos fluxos incessantes de drogados.

As cenas lembram o movimento em campos de refugiados na Europa ou dos primeiros anos do garimpo de Serra Pelada, no Pará, em que milhares de miseráveis disputavam migalhas de ouro numa louca corrida pela sobrevivência.

Em SP, tudo gira em torno de alguns gramas de crack, o combustível que move este circo de horrores e só faz crescer a sensação de insegurança de quem mora ou circula por estes pontos históricos da “Cidade Linda”.

À medida em que o desemprego e a miséria humana aumentam, cresce também a revolta desses drogados misturados com sem-teto que não podem ver um fotógrafo por perto, e já começam a xingar e jogar pedras. Nesta guerra sem quartel, todos são inimigos de todos, a começar pela imprensa.

​“É melhor você sumir daqui, se não pode colocar em risco a minha vida e a sua”, recomendou um guarda municipal ao repórter-fotográfico Jorge Araujo, da Folha, que registrava um confronto na alameda Cleveland, na terça (17).

No último censo realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), em 2015, havia 15.905 pessoas em situação de rua.

Para atender a esta população, a prefeitura diz manter 104 centros de acolhida, disponibilizando mais de 14 mil vagas de acolhimento, 4,5 mil delas criadas na atual gestão.

Segundo a gestão Bruno Covas (PSDB), desde junho de 2016 mais de 1 milhão de atendimentos foram feitos pela Secretaria de Assistência Social. “A equipe socioassistencial realiza a busca ativa diariamente, mas não pode obrigar as pessoas a irem aos equipamentos”, diz. Em apoio às redes de atendimento, equipes de zeladoria fazem a limpeza da região da Nova Luz três vezes ao dia e recolhem dez toneladas de lixo, em média.

Fonte: Folha de São Paulo

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