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Sentado na calçada quase em frente ao abrigo da prefeitura no Vale do Anhangabaú, na região central de São Paulo, Vitor Hugo Pacheco, 22, conta que foram poucas as noites em que conseguiu trocar as calçadas por uma das 116 camas no endereço. “Nunca tem vaga”, diz ele, que vive nas ruas desde os 16 anos.

Em uma recente tentativa, ele conta que não conseguiu uma vaga para dormir, mas, ao se distanciar da porta após insistir com um segurança para deixá-lo entrar, viu um cobertor ser lançado pela janela do abrigo por um dos ocupantes, que se solidarizou com sua situação. “Pelo menos não passei tanto frio naquela noite.”

Assim como Pacheco, a Folha presenciou outros moradores de rua nas últimas semanas que bateram na porta do CTA (Centro Temporário de Acolhimento) Anhangabaú e não conseguiram entrar.

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O segurança que fica na porta é orientado a exigir um encaminhamento —papel distribuído por equipes da Secretaria de Assistência Social que circulam por pontos de maior concentração de moradores de rua. Os papéis são distribuídos conforme a quantidade de vagas disponíveis nos abrigos e, sem a autorização, quem bate na porta é orientado a procurar outro lugar.

A regra tem sido mantida pela gestão Bruno Covas (PSDB) mesmo durante as madrugadas com baixas temperaturas registradas na capital.

O secretário de Assistência Social, Filipe Sabará, confirma a exigência do documento para quem quiser pernoitar em qualquer um dos 16 CTAs e afirma que a medida é necessária para a organização do fluxo.

Ele nega, porém, que a medida possa acarretar em falta de vagas para quem busca abrigo. “Diariamente a partir das 22h quem está na fila é acolhido ou encaminhado para outro abrigo”, diz.

É a partir desse horário, explica o secretário, que as vagas que ficam vazias para atender as demandas emergenciais — principalmente durante os meses de outono e inverno— são disponibilizadas.

Há dez dias dormindo nas ruas, após ver frustrada a promessa de emprego pela qual trocou Vitória (ES) por São Paulo, o vendedor Jerônimo Mora Filho, 67, vai todos os dias em busca do tal encaminhamento. “Sei que tenho preferência por ser idoso, mas muita gente fica sem vaga.”

De acordo com dados obtidos via Lei de Acesso à Informação, a Prefeitura de São Paulo realizou entre 25 mil e 30 mil acolhimentos por mês entre janeiro e maio deste ano. Os números representam aumento de 40% no número de vagas ocupadas em abrigos em comparação com o mesmo período no ano anterior.

O incremento nos dados da assistência social foi impulsionado pela inauguração de 16 CTAs —imóveis públicos e privados que foram reformados pela iniciativa privada para aumentar a oferta de vagas para moradores de rua na capital.

Mesmo assim, a política pública refletiu pouco —6,5%— no aumento de atendimentos a moradores de rua entre 2016, último ano de Fernando Haddad (PT), e 2017, primeiro ano de implantação dos CTAs.

Isso porque, fora os CTAs, as outras modalidades de abrigos não tiveram investimentos, como as que recebem famílias, crianças, gestantes, convalescentes e idosos.

A maioria das novas vagas oferecida pelos CTAs é voltada a quem é do sexo masculino e solteiro, que também representa o perfil da maioria de quem vive nas ruas.

Por outro lado, a assistência social tem gargalos há anos no acolhimento de determinados perfis de moradores de rua, especialmente famílias.

Além disso, o aumento no número de acolhimentos registrado na atual gestão não foi suficiente para compensar a queda de 10% nos atendimentos registrados no comparativo entre os dois últimos anos da gestão Haddad.

Em boa parte, inclusive, a criação de vagas em CTAs foi absorvida pela explosão do número de pessoas que passaram a viver nas ruas de São Paulo nos últimos dois anos.

Ainda a ser atualizado no ano que vem, o censo da população de rua mais recente é datado de 2015, quando foram contabilizados 15.905 moradores de rua na cidade.

Segundo declarações recorrentes de João Doria (PSDB), atual pré-candidato ao governo de São Paulo, no início de seu mandato como prefeito da capital, a população de rua atual é estimada em cerca de 25 mil —aumento de 57% em dois anos. “A crise econômica influenciou no aumento da população de rua”, diz Sabará.

A defasagem do censo impacta em outro indicador. De acordo com o programa de metas da prefeitura, a secretaria de Assistência Social ultrapassou a exigência de disponibilizar vagas em abrigos a 90% dos moradores de rua.

Se considerar o número atual —25 mil—, o indicador sai da lista de metas cumpridas e cai para 50%, já que o município disponibiliza, atualmente, de 12.550 vagas. “Nossa base de dados é o censo oficial, sendo assim, a meta foi cumprida”, afirma Sabará.

Fonte: Folha de São Paulo

Tendo em vista as baixas temperaturas ostentadas pelos termômetros em boa parte do país, é bem provável que alguém amanheça sem vida, nas ruas de alguma cidade, nesta quarta. A hipotermia terá sido mera consequência uma vez que não se morre de frio, mas de falta de políticas públicas ou de especulação imobiliária. Quem tenta mudar esse cenário, acaba também ameaçado de morte, como vem ocorrendo com o padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Povo de Rua.

Da mesma forma, não se morre por ”desastres naturais”, como as chuvas ou as secas que castigam outras partes do país. Às mortes por falta ou excesso de água deveríamos dar o nome de ”desastres políticos e administrativos” – pois já há tecnologia e protocolos para prever, reduzir e evitar o sofrimento.

Mas por irresponsabilidade e incompetência de gestores, pessoas são levadas pela correnteza ou soterradas em deslizamentos.

Enquanto você lê este texto, trabalhadores escravizados passam frio costurando em oficinas de costura em São Paulo. E outros trabalhadores escravizados respiram fumaça e pó em grandes áreas de desmatamento na Amazônia.

Isso também pode ser evitado uma vez que contávamos com uma boa política pública nesse sentido, criada pelo governo do PSDB e transformada em referência internacional pelo governo do PT, para desespero de quem ama a ultrapolarização.

A prioridade em libertar pessoas, infelizmente, deixou de existir quando o governo federal tentou dificultar essas operações no ano passado. Vale acompanhar o que o novo ministro do Trabalho fará a respeito: resgatar a política ou atender às exigências de empresas que perdem dinheiro com o combate a esse crime.

Brasileiros, bolivianos, chineses, venezuelanos, haitianos que não existem no país em que roupa e carne vem da geração espontânea.

Faz um ano que um homem morreu na esquina da rua Teodoro Sampaio com a avenida Doutor Arnaldo, na capital paulista, após uma noite, uma madrugada e uma manhã muito frias.

Durante horas, seu corpo ficou ali parado, imóvel, enquanto todos passavam por ele, carregando suas vidas.

Ironicamente, aquele pacote de gente – que se foi sem apresentar sinais de violência além da violência inerente àquela situação – estava entre as faculdades de Medicina e de Saúde da Universidade de São Paulo. E a alguns metros do Hospital das Clínicas, mas também do Instituto Médico Legal e do Cemitério do Araçá.

Por aqui, a vida persiste, vencendo o descaso.

Mas isso não significa que ela seja forte o bastante para se fazer notar.

A verdade é que até somos tolerantes com vidas que acreditamos não valerem nada. Contanto que elas não atrapalhem esteticamente a realidade. E não façam barulho ao sair.

Fonte: Blog do Sakamoto

A partir desta quarta-feira (4), a Prefeitura de São Paulo diz que vai começar a retirar famílias que recebem auxílio-aluguel e seguem acampadas no Largo do Paissandu após o desabamento do prédio Wilson Paes de Almeida, em 1º de maio.

Depois da tragédia, a Prefeitura identificou e cadastrou 291 famílias que moravam no prédio e têm o direito de receber o auxílio-aluguel de R$ 1.200 no primeiro mês e depois uma ajuda mensal de R$ 400. Segundo a Secretaria de Habitação, as famílias beneficiadas não poderão mais ficar na praça e se forem identificadas no local, podem perder o benefício (veja íntegra da nota abaixo)

As assistentes sociais também vão negociar a saída das outras pessoas que estão no local, mas que não faziam parte da ocupação. Elas também terão que deixar a praça. A Prefeitura acredita que sejam no máximo 60 famílias, que poderão ir para os centros de acolhida da capital.

A Prefeitura disse ainda que outras famílias acampadas logo após o desabamento e que recebiam auxílio foram deslocadas para casas em uma primeira etapa.

Auxílio-aluguel

Um mês antes do desabamento, a Prefeitura esteve no prédio Wilson Paes de Almeida e cadastrou 171 famílias da ocupação. Depois da tragédia, as assistentes sociais identificaram mais 120 famílias que também moraram no local e incluíram essas pessoas no cadastro para o auxílio-aluguel e fila habitacional.

Esta terça-feira (3) é o último dia para as famílias que têm direito ao benefício retirem o primeiro pagamento no valor de R$ 1.200.

Este valor é pago pelo governo do estado que também assumiu o compromisso de pagar o valor mensal de R$ 400 por um ano. A Prefeitura só vai assumir o pagamento a partir de maio de 2019.

Nota Prefeitura

“A Prefeitura de São Paulo finalizou o atendimento habitacional das vítimas do desabamento e a partir desta quarta-feira (4) intensifica as ações de abordagem junto às famílias no Largo do Paissandú para oferecer acolhimento a quem insiste em permanecer na praça. Nesta terça-feira (3) o município encerrou o atendimento das famílias que comprovaram vínculo com a ocupação apenas na última semana.

Foram analisados casos de 435 famílias que se apresentaram como vítimas sendo que apenas 291 comprovaram morar na ocupação do edifício Wilton Paes de Almeida. As famílias que estão na praça vieram de outras regiões da cidade, não moravam no edifício que desabou e se somam as outras 4 mil pessoas em situação de rua no centro da cidade. A partir de agora, o município segue oferecendo, como desde o início, os serviços de acolhimento nos centros de acolhida com 14,5 mil vagas.

A Prefeitura também vai reforçar a tentativa de realizar a limpeza no local. Por diversas vezes as famílias impediram a limpeza do espaço, a situação de insalubridade aumentou colocando em risco a saúde das crianças, idosos e gestantes. O local apresenta alto nível de sujeira, causando problemas de higiene, atraindo pragas, roedores e baratas e gerando reclamações de moradores e comerciantes da região.”

Fonte: G1

Novamente o Di Alma conseguiu atingir o objetivo de levar calor para os nossos amigos em situação de rua.

Neste domingo, 24 de junho, levamos sopa, pão, doce, kit de higiene, luvas, meias, gorros e cobertores para aquecer o inverno destes nossos irmãos mais vulneráveis.

Não esquecemos dos nossos amigos de quatro patas e levamos ração para alimentá-los também.

Foi um dia lindo e muito gratificante.

Curta as fotos desta maravilhoso ação: Inverno Di Rua

SÃO PAULO

No puxadinho de Valtair José de Souza, 50, há duas camas, mas ele dorme somente no sofá. Os dois colchões, abarrotados de brinquedos, ocupam a maior parte do espaço, mas nenhuma criança nunca dormiu lá desde que ele se mudou, há cerca de um ano, para essa casa abandonada a poucos metros do parque Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, e que foi invadida por cerca de 30 famílias.

Dos seus filhos, Felipe, 5, vive há um ano e meio em um abrigo da prefeitura, e Joana, 2, sumiu com a mãe e ele não a vê há mais de um ano. Os nomes das crianças são fictícios.

No puxadinho, as camas preparadas para receber as crianças são uma forma de Carioca, como Valtair é conhecido, manter a esperança de recuperar a guarda dos dois filhos. Ele, que sobrevive fazendo bicos, tira de uma pasta surrada todos os documentos originais dos filhos: as certidões de nascimento, avaliações da escola e o RG do mais velho, além da carteira de vacinação com as doses em dia.

Ao lado da cabeceira de uma das camas, está apoiada a bicicleta de Felipe, que Carioca teve que arrastar até em casa no dia em que o menino foi levado a um abrigo, após a Justiça o ter destituído do poder familiar. “Ele foi comigo ao fórum nesta bicicleta”, lembra Carioca, sobre o dia que viu o filho pela última vez.

A decisão judicial de colocá-lo sob tutela do estado veio três meses depois de o pai ter sido preso em flagrante sob a acusação de agredir o filho. No registro feito na delegacia, testemunhas o acusaram de arrastar o menino pela calçada e lhe dar socos na cabeça, além de jogá-lo com violência no concreto. O relato também diz que ele estava embriagado.

O pai foi acusado de nove crimes, entre eles, maus-tratos e violência doméstica —cumpriu três meses de detenção. Carioca, porém, tem outra versão. Ele conta que, naquele domingo de setembro de 2016, havia levado o filho para acompanhá-lo, enquanto trabalhava como guardador de carros na esquina das ruas Augusta e Estados Unidos.

A digital, que antes assinava documentos, agora vai abrir as portas do mundo digital. Através da tecnologia de seus produtos, a Samsung, em parceria com o Instituto Paulo Freire, vai contribuir com a educação e a alfabetização de centenas de pessoas. O projeto Alfabetização Cidadã foi criado para que aqueles que coletam, separam e tratam resíduos em geral tenham suas vidas transformadas através da autonomia da escrita. O objetivo de levar a tecnologia para o dia a dia dos alunos é alfabetizá-los e promover a inclusão social e digital, trazendo a eles novas perspectivas de vida e transformando-os em Embaixadores da Sustentabilidade também no mundo virtual.

História

Uma educação humanizada e transformadora. Este foi o grande desejo que motivou Paulo Freire a construir o próprio Instituto que, em parceria com pessoas e instituições movidas por estes mesmos princípios, se propõe a fortalecer a luta pela construção de “um outro mundo possível”. O pensamento freiriano atravessou fronteiras e está presente em inúmeros países, em todos os continentes. O método inovador de ensino e aprendizagem adotado pelo Instituto Paulo Freire coloca a vida do aluno no centro da educação e proporciona às pessoas a descoberta de novos horizontes.

Fonte: Samsung

A Prefeitura de São Paulo pretende fazer um projeto habitacional no terreno do edifício Wilton Paes de Almeida, que pegou fogo e desabou no Largo Paissandu, no Centro de São Paulo, no dia 1º de maio. A ideia do secretário da Habitação, Fernando Chucre, é a de que as famílias desabrigadas sejam contempladas de forma definitiva no mesmo endereço.

Os corpos de sete pessoas foram encontrados nos escombros. Outros dois moradores seguem desaparecidos.

“A gente está conversando com o Ministério das Cidades e a Secretaria de Habitação do estado e vamos anunciar proximamente qual será o atendimento às famílias e onde será, em caráter definitivo. Provavelmente será gerado um empreendimento no próprio terreno onde ocorreu o acidente”, disse Chucre.

O secretário disse que ainda não há um projeto efetivo, mas que o primeiro pensamento da administração municipal é destinar o espaço para quem já morava lá.

O secretário defende que há uma identidade daquelas famílias com o endereço. “É um terreno muito bem localizado, bem servido de infraestrutura, equipamentos públicos, as famílias têm um vínculo com o território, então, seria o mais adequado, pela secretaria de Habitação, que fosse feito um empreendimento no próprio local.”

Segundo o secretário, o anúncio oficial já teria ocorrido se não fosse a greve de caminhoneiros no país, que dificultou o encontro de autoridades. “O ministro [Alexandre Baldy] vinha aqui [São Paulo] dia 28 e, com a crise da gasolina e problema de deslocamento, nós cancelamos a reunião”, disse. “Isso está bem encaminhado, a gente deve dar uma solução, encaminhamento definitivo muito rapidamente.”

Vistorias em ocupações

Desde o desabamento do prédio, a prefeitura passou a vistoriar os prédios públicos ocupados como maneira de checar as condições de segurança para os moradores. “A Defesa Civil está fazendo um levantamento nos 70 prédios que estão ocupados, que estão invadidos aqui na cidade de São Paulo, para a gente verificar que ações devem ser tomadas a curto prazo, se há alguma ação emergencial que precisa ser feita no curto prazo no ponto de vista de risco desses 70 prédios”, disse o prefeito Bruno Covas.

Segundo Chucre, “desde a primeira semana, no dia 7, o coronel José Roberto, que é o secretário de Segurança Urbana, começou as visitas em edifícios, gerando uma base de dados para a requalificação de segurança. Até o final de junho todas as ocupações da região central serão visitadas. Já visitamos 30 edifícios dos cerca de 70. Há uma variação desse total porque alguns edifícios têm reintegração de posse marcada, mas já definimos as vistorias em 49 desses prédios.”

Nos próximos dias será avaliada a vistoria ou não de ocupações com reintegração de posse já marcada. “Tem casos também como o [Hotel] Cambridge e do Lord [Palace Hotel], a gente tinha o financiamento da requalificação, portanto, não seria necessário fazer a vistoria nesses dois locais”, disse o secretário.

“Espaço exclusivo”

Segundo José Castro, secretário municipal interino de Assistência e Desenvolvimento Social, foram cadastradas 320 famílias que compareceram à tenda montada pela Prefeitura no Largo do Paissandu.

“A gente chega num local de tragédia e a universalidade de atendimento é muito importante e por isso a gente atende todo mundo. Esse encaminhamento deve ser consensual. A gente chegou a oferecer um espaço exclusivo e emergencial para aquelas pessoas que tinham sido afetadas por esse desabamento”, disse.

Alguns dos moradores chegaram a questionar a qualidade de um dos espaços destinados aos que foram desalojados por conta do incêndio e desabamento. “Acho curioso uma pessoa que opta por ficar na praça, na rua reclamar de um banheiro sujo, porque a gente está oferecendo teto, cama, alimentação, banho”, disse Castro.

Com isso, ele afirma que atingiu “o número total de 1.650 pernoites neste espaço exclusivo. Na noite de 29 de maio foram 60 pernoites, por exemplo”, disse o secretário.

Detalhamento do atendimento

A Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude da Capital pediu à Justiça, na quinta-feira (24), a concessão de liminar para que a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads) “apresente imediatamente os relatórios individualizados dos atendimentos realizados às famílias desabrigadas acampadas no Largo do Paissandu desde 1º de maio”.

Os promotores querem saber as ações tomadas pela prefeitura de São Paulo para ajudar as famílias com filhos de até 18 anos que moravam no prédio Wilton Paes de Almeida e as possíveis recusas pelo atendimento.

A Promotoria obteve, na semana passada, liminar determinando que a pasta apresente imediatamente os relatórios individualizados dos atendimentos realizados às famílias acampadas no Largo do Paissandu desde 1º de maio.

“Os documentos deverão ser catalogados por núcleo familiar e trazer indicações das ações e programas ofertados para as famílias com filhos de até 18 anos e, eventualmente, a razão alegada para a recusa, com dados de identificação de registro de nascimento ou de outros documentos pessoais dos assistidos.”

Segundo os promotores, a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania deixou de especificar quem são os ex-moradores da ocupação do edifício que vêm se recusando a levar seus filhos para Centros Temporários de Atendimento (CTAs).

Além disso, a secretaria, que solicitou a tomada de medidas judiciais contra pais e responsáveis de crianças e adolescentes que teriam se recusado a deixar o Largo do Paissandu, não descreveu os serviços que foram oferecidos às pela municipalidade e nem apresentou comprovação da efetiva recusa das famílias ao encaminhamento proposto.

“Sobre isso, acionamos o Ministério Público antes. E, antes mesmo da decisão judicial, quando o MP solicitou as informações, nós já protocolamos as informações. Ainda não tive acesso à decisão judicial pedindo o detalhamento, mas nós nos antecipamos e enviamos as informações aos Ministério Público”, disse José Castro.

Estudo de caso

Fernando Chucre disse ao G1 que as famílias que estão na praça, no abrigo e as que se apresentaram voluntariamente requerendo o apoio da prefeitura estão passando por uma triagem de informações e dados para de fato receberem alguma ajuda.

“A pessoa alega que morava lá e uma junta de assistentes sociais estuda caso a caso. Faz uma triagem de informações para ter a certeza que moravam lá ou não. Se a gente fica em dúvida, com referência de que aquela pessoa morou, morava ou ficou de forma transitória naquele local, a gente faz uma análise e dados. Tinha um público flutuante naquele prédio e isso gerou mais uma lista de 171 famílias.”

Segundo o secretário de Habitação, “para não cometer nenhuma injustiça, dessas demais famílias não cadastradas, vamos oferecer auxílio para mais 77 famílias. Elas vão ser atendidas provisoriamente. A pessoa mostra uma conta de crediário e o endereço de cobrança do boleto é aquele prédio, o programa saúde da família faz cadastro e faz atendimento desses locais, famílias têm crianças em creches e estão na ficha o endereço do prédio. Vamos analisar essas informações todas.”

De acordo com Castro, o último cadastro feito é de um mês antes do desabamento. “Temos tudo documentado.”

Fonte: G1

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