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Novamente o Di Alma conseguiu atingir o objetivo de levar calor para os nossos amigos em situação de rua.

Neste domingo, 24 de junho, levamos sopa, pão, doce, kit de higiene, luvas, meias, gorros e cobertores para aquecer o inverno destes nossos irmãos mais vulneráveis.

Não esquecemos dos nossos amigos de quatro patas e levamos ração para alimentá-los também.

Foi um dia lindo e muito gratificante.

Curta as fotos desta maravilhoso ação: Inverno Di Rua

SÃO PAULO

No puxadinho de Valtair José de Souza, 50, há duas camas, mas ele dorme somente no sofá. Os dois colchões, abarrotados de brinquedos, ocupam a maior parte do espaço, mas nenhuma criança nunca dormiu lá desde que ele se mudou, há cerca de um ano, para essa casa abandonada a poucos metros do parque Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, e que foi invadida por cerca de 30 famílias.

Dos seus filhos, Felipe, 5, vive há um ano e meio em um abrigo da prefeitura, e Joana, 2, sumiu com a mãe e ele não a vê há mais de um ano. Os nomes das crianças são fictícios.

No puxadinho, as camas preparadas para receber as crianças são uma forma de Carioca, como Valtair é conhecido, manter a esperança de recuperar a guarda dos dois filhos. Ele, que sobrevive fazendo bicos, tira de uma pasta surrada todos os documentos originais dos filhos: as certidões de nascimento, avaliações da escola e o RG do mais velho, além da carteira de vacinação com as doses em dia.

Ao lado da cabeceira de uma das camas, está apoiada a bicicleta de Felipe, que Carioca teve que arrastar até em casa no dia em que o menino foi levado a um abrigo, após a Justiça o ter destituído do poder familiar. “Ele foi comigo ao fórum nesta bicicleta”, lembra Carioca, sobre o dia que viu o filho pela última vez.

A decisão judicial de colocá-lo sob tutela do estado veio três meses depois de o pai ter sido preso em flagrante sob a acusação de agredir o filho. No registro feito na delegacia, testemunhas o acusaram de arrastar o menino pela calçada e lhe dar socos na cabeça, além de jogá-lo com violência no concreto. O relato também diz que ele estava embriagado.

O pai foi acusado de nove crimes, entre eles, maus-tratos e violência doméstica —cumpriu três meses de detenção. Carioca, porém, tem outra versão. Ele conta que, naquele domingo de setembro de 2016, havia levado o filho para acompanhá-lo, enquanto trabalhava como guardador de carros na esquina das ruas Augusta e Estados Unidos.

A digital, que antes assinava documentos, agora vai abrir as portas do mundo digital. Através da tecnologia de seus produtos, a Samsung, em parceria com o Instituto Paulo Freire, vai contribuir com a educação e a alfabetização de centenas de pessoas. O projeto Alfabetização Cidadã foi criado para que aqueles que coletam, separam e tratam resíduos em geral tenham suas vidas transformadas através da autonomia da escrita. O objetivo de levar a tecnologia para o dia a dia dos alunos é alfabetizá-los e promover a inclusão social e digital, trazendo a eles novas perspectivas de vida e transformando-os em Embaixadores da Sustentabilidade também no mundo virtual.

História

Uma educação humanizada e transformadora. Este foi o grande desejo que motivou Paulo Freire a construir o próprio Instituto que, em parceria com pessoas e instituições movidas por estes mesmos princípios, se propõe a fortalecer a luta pela construção de “um outro mundo possível”. O pensamento freiriano atravessou fronteiras e está presente em inúmeros países, em todos os continentes. O método inovador de ensino e aprendizagem adotado pelo Instituto Paulo Freire coloca a vida do aluno no centro da educação e proporciona às pessoas a descoberta de novos horizontes.

Fonte: Samsung

A Prefeitura de São Paulo pretende fazer um projeto habitacional no terreno do edifício Wilton Paes de Almeida, que pegou fogo e desabou no Largo Paissandu, no Centro de São Paulo, no dia 1º de maio. A ideia do secretário da Habitação, Fernando Chucre, é a de que as famílias desabrigadas sejam contempladas de forma definitiva no mesmo endereço.

Os corpos de sete pessoas foram encontrados nos escombros. Outros dois moradores seguem desaparecidos.

“A gente está conversando com o Ministério das Cidades e a Secretaria de Habitação do estado e vamos anunciar proximamente qual será o atendimento às famílias e onde será, em caráter definitivo. Provavelmente será gerado um empreendimento no próprio terreno onde ocorreu o acidente”, disse Chucre.

O secretário disse que ainda não há um projeto efetivo, mas que o primeiro pensamento da administração municipal é destinar o espaço para quem já morava lá.

O secretário defende que há uma identidade daquelas famílias com o endereço. “É um terreno muito bem localizado, bem servido de infraestrutura, equipamentos públicos, as famílias têm um vínculo com o território, então, seria o mais adequado, pela secretaria de Habitação, que fosse feito um empreendimento no próprio local.”

Segundo o secretário, o anúncio oficial já teria ocorrido se não fosse a greve de caminhoneiros no país, que dificultou o encontro de autoridades. “O ministro [Alexandre Baldy] vinha aqui [São Paulo] dia 28 e, com a crise da gasolina e problema de deslocamento, nós cancelamos a reunião”, disse. “Isso está bem encaminhado, a gente deve dar uma solução, encaminhamento definitivo muito rapidamente.”

Vistorias em ocupações

Desde o desabamento do prédio, a prefeitura passou a vistoriar os prédios públicos ocupados como maneira de checar as condições de segurança para os moradores. “A Defesa Civil está fazendo um levantamento nos 70 prédios que estão ocupados, que estão invadidos aqui na cidade de São Paulo, para a gente verificar que ações devem ser tomadas a curto prazo, se há alguma ação emergencial que precisa ser feita no curto prazo no ponto de vista de risco desses 70 prédios”, disse o prefeito Bruno Covas.

Segundo Chucre, “desde a primeira semana, no dia 7, o coronel José Roberto, que é o secretário de Segurança Urbana, começou as visitas em edifícios, gerando uma base de dados para a requalificação de segurança. Até o final de junho todas as ocupações da região central serão visitadas. Já visitamos 30 edifícios dos cerca de 70. Há uma variação desse total porque alguns edifícios têm reintegração de posse marcada, mas já definimos as vistorias em 49 desses prédios.”

Nos próximos dias será avaliada a vistoria ou não de ocupações com reintegração de posse já marcada. “Tem casos também como o [Hotel] Cambridge e do Lord [Palace Hotel], a gente tinha o financiamento da requalificação, portanto, não seria necessário fazer a vistoria nesses dois locais”, disse o secretário.

“Espaço exclusivo”

Segundo José Castro, secretário municipal interino de Assistência e Desenvolvimento Social, foram cadastradas 320 famílias que compareceram à tenda montada pela Prefeitura no Largo do Paissandu.

“A gente chega num local de tragédia e a universalidade de atendimento é muito importante e por isso a gente atende todo mundo. Esse encaminhamento deve ser consensual. A gente chegou a oferecer um espaço exclusivo e emergencial para aquelas pessoas que tinham sido afetadas por esse desabamento”, disse.

Alguns dos moradores chegaram a questionar a qualidade de um dos espaços destinados aos que foram desalojados por conta do incêndio e desabamento. “Acho curioso uma pessoa que opta por ficar na praça, na rua reclamar de um banheiro sujo, porque a gente está oferecendo teto, cama, alimentação, banho”, disse Castro.

Com isso, ele afirma que atingiu “o número total de 1.650 pernoites neste espaço exclusivo. Na noite de 29 de maio foram 60 pernoites, por exemplo”, disse o secretário.

Detalhamento do atendimento

A Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude da Capital pediu à Justiça, na quinta-feira (24), a concessão de liminar para que a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads) “apresente imediatamente os relatórios individualizados dos atendimentos realizados às famílias desabrigadas acampadas no Largo do Paissandu desde 1º de maio”.

Os promotores querem saber as ações tomadas pela prefeitura de São Paulo para ajudar as famílias com filhos de até 18 anos que moravam no prédio Wilton Paes de Almeida e as possíveis recusas pelo atendimento.

A Promotoria obteve, na semana passada, liminar determinando que a pasta apresente imediatamente os relatórios individualizados dos atendimentos realizados às famílias acampadas no Largo do Paissandu desde 1º de maio.

“Os documentos deverão ser catalogados por núcleo familiar e trazer indicações das ações e programas ofertados para as famílias com filhos de até 18 anos e, eventualmente, a razão alegada para a recusa, com dados de identificação de registro de nascimento ou de outros documentos pessoais dos assistidos.”

Segundo os promotores, a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania deixou de especificar quem são os ex-moradores da ocupação do edifício que vêm se recusando a levar seus filhos para Centros Temporários de Atendimento (CTAs).

Além disso, a secretaria, que solicitou a tomada de medidas judiciais contra pais e responsáveis de crianças e adolescentes que teriam se recusado a deixar o Largo do Paissandu, não descreveu os serviços que foram oferecidos às pela municipalidade e nem apresentou comprovação da efetiva recusa das famílias ao encaminhamento proposto.

“Sobre isso, acionamos o Ministério Público antes. E, antes mesmo da decisão judicial, quando o MP solicitou as informações, nós já protocolamos as informações. Ainda não tive acesso à decisão judicial pedindo o detalhamento, mas nós nos antecipamos e enviamos as informações aos Ministério Público”, disse José Castro.

Estudo de caso

Fernando Chucre disse ao G1 que as famílias que estão na praça, no abrigo e as que se apresentaram voluntariamente requerendo o apoio da prefeitura estão passando por uma triagem de informações e dados para de fato receberem alguma ajuda.

“A pessoa alega que morava lá e uma junta de assistentes sociais estuda caso a caso. Faz uma triagem de informações para ter a certeza que moravam lá ou não. Se a gente fica em dúvida, com referência de que aquela pessoa morou, morava ou ficou de forma transitória naquele local, a gente faz uma análise e dados. Tinha um público flutuante naquele prédio e isso gerou mais uma lista de 171 famílias.”

Segundo o secretário de Habitação, “para não cometer nenhuma injustiça, dessas demais famílias não cadastradas, vamos oferecer auxílio para mais 77 famílias. Elas vão ser atendidas provisoriamente. A pessoa mostra uma conta de crediário e o endereço de cobrança do boleto é aquele prédio, o programa saúde da família faz cadastro e faz atendimento desses locais, famílias têm crianças em creches e estão na ficha o endereço do prédio. Vamos analisar essas informações todas.”

De acordo com Castro, o último cadastro feito é de um mês antes do desabamento. “Temos tudo documentado.”

Fonte: G1

O Governo Federal concede aquelas pessoas em extremo estado de vulnerabilidade o direito a uma renda básica no valor de aproximadamente R$ 87,00.

Para tanto é necessário que procure, em São Paulo, o CREAS mais próximo levando documento e comprovante de residência. Sim, o morador de rua precisa estar alocado em algum Centro de Acolhida.

Abaixo os endereços dos CREAS da Capital de São Paulo:

CENTRO


Endereço: Rua Bandeirantes, 55
Telefones: 2383-4480 / 3311-0920 / 3396-3500

NORTE

Vila Maria
Endereço: Rua Soldado José Antônio Moreira, 546
Telefones: 2201-5807 / 2949-6495

Santana
Endereço: Rua Voluntários da Pátria, 4649
Telefones: 4571-0293

Tremembé
Endereço: Avenida Mário Pernambuco, 45
Telefones: 2261-1314 / 2203-1443

Casa Verde
Endereço: Rua Crisolia, 53 – Jardim Primavera / Bairro do Limão
Telefones: 3856.9463

Freguesia do Ó
Endereço: Rua Parapuã, 160
Telefones: 3978-2984 / 3977- 8925 / 5413-6419

Pirituba
Endereço: Rua: Comendador Feiz Zarzur, 15
Telefones: 3972-4171 / 3972-2855

Perus
Endereço: Rua Gonçalves de Andrade, 369
Telefones: 3917-6380/ 3911- 5211 3918-5410 e 3918-5008

SUL

Jabaquara
Endereço: Rua dos Jornalistas, 48
Telefones: 5012-8129 / 5016-1572

Ipiranga
Endereço: Rua Taquarichim, 290
Telefones: 2383-4528 / 2383-4529 / 2383 4527

Vila Mariana
Endereço: Rua Madre Cabrini, 99
Telefones: 5083-4632

Cidade Ademar
Endereço: Rua Ranulfo Prata, 289
Telefones: 5677-0341 / 5562-2874

Campo Limpo
Endereço: Rua Landolfo de Andrade, 200
Telefones: 5814-7483

Capela do Socorro
Endereço: Av. Senador Teotônio Vilela, 2394
Telefones: 5666-8940 / 5666-8494

Santo Amaro
Endereço: Rua Padre José de Anchieta, 802
Telefones: 5524-1305

M´Boi Mirim
Endereço: Rua: Miguel Luiz Figueira, 16
Telefones: 5891-3483/ 5891-3632

LESTE

Sapopemba
Endereço: Avenida Sapopemba, 6293
Telefones: 2115-2738 2115-3313

Vila Prudente
Endereço: Avenida Paes de Barros, 3345
Telefones: 2219-2049 / 2219-1760

Mooca
Endereço: Rua Síria, 300
Telefones: 2225-1302 / 2225-1302

Penha
Endereço: Rua Antonio Taborda, 37
Telefones: 2023-0770

Aricanduva
Endereço: Rua São Contancio, 457
Telefones: 2268-1793 / 3246-8310 / 3246-8312

Itaim Paulista
Endereço: Rua Celso Barbosa de Lima, 501/503
Telefones: 2156-3814 / 2569-2797 / 2569-2802

São Mateus
Endereço: Rua: Ângelo de Cândia, 964
Telefones: 2012-6406 / 2012-5987 / 2012-6092

Guaianases 

Endereço: Rua Nabuco de Abreu, 06
Telefones: 2554-7115

Itaquera
Endereço: Av. Maria Luiza Americano, 1877
Telefones: 2745-5900

Cidade Tiradentes
Endereço: Avenida Nascer do Sol, 529
Telefones: 2363 9876 / 2363 9886 / 2363 9875

Ermelino Matarazzo
Endereço: Av. Boturussu, 1626
Telefones: 2545-3211

São Miguel Paulista
Endereço: Rua José Pereira Cardoso, 183
Telefones: 2031-4459 / 2031 -5859

OESTE

Pinheiros
Endereço: Rua Mourato Coelho, 104/106
Telefones: 3063-0807 3085-2615

Butantã
Endereço: Ministro Laudo Ferreira de Camargo, 230
Telefones: 3743-2734

Fonte: Centro de Acolhida da Boracéa

O Ministério Público obteve uma liminar da Justiça determinando que a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo apresente um relatório detalhado sobre os atendimentos feitos às famílias que viviam no edifício Wilton Paes de Almeida, no Centro.

Nesta sexta-feira (1º) faz um mês que o prédio pegou fogo e desabou. Seis moradores morreram e outros dois seguem desaparecidos.

Desde o dia da tragédia, as famílias que viviam lá estão acampadas no Largo do Paissandu, em frente ao terredo do edifício.

Na semana passada, as Defensorias Públicas Estadual e Federal entraram com um pedido de liminar na Justiça pedindo indenização para os desabrigados, transferência deles para algum prédio desocupado da região central, além da instalação de banheiros químicos na região.

A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social informou que, desde o incêndio, já contabilizou 1.650 pernoites em abrigos, e que 144 famílias já começaram a receber o auxílio-moradia. São R$ 1,2 mil no primeiro mês e R$ 400 a partir do segundo, durante um ano.

Rotina

Nesta quinta (31), a reportagem encontrou quatro banheiros químicos bem ao lado da cozinha improvisada pelos desabrigados. Mas segundo eles, nenhum dos banheiros foi colocado por funcionários da Prefeitura.

“Esses banheiros nós tivemos que pegar à força. Eles não entregaram nada. Até hoje não foi entregue, nós pegamos esse banheiro e não entregaram nada”, disse uma moradora.

O prédio tinha sido ocupado por moradores sem teto. Após o desabamento, cerca de 1.700 bombeiros trabalharam 13 dias sem parar para encontrar sobreviventes.

A desempregada Ana Paula dos Santos disse que pouca coisa mudou desde a tragédia. Ela reclama que as doações diminuíram. “Tem dois isopores, tinha mais antes. Dura para mais uma semana”, disse.

Depois de um mês enfrentando chuva e frio, há relatos de pessoas doentes. “Dor nas costas, dor de cabeça, dor nas vistas. Eu fui no médico e eles falaram que é a friagem que estou tomando aqui. Eu e meus filhos”, contou a desabrigada Katia.

O edifício pertencia ao governo federal. A Superintendência do Patrimônio da União informou que trabalha em conjunto com os outros órgãos e que uma nova reunião está marcada para o dia 13 de junho.

Fonte: G1

A ação do mês de Maio foi muito especial, ajudamos nossos amigos em situação de rua na área da Ceagesp.

Levamos café da manhã, kit higiene e ração para os melhores amigos.

Obrigada a todos os voluntários e aqueles que doaram.

Veja as fotos: Maio/18

Não se pode chegar perto dos oito filhotinhos da cadela Clara, nascidos há cerca de três semanas. Como boa mãe, ela não quer ninguém mexendo com sua prole. A família ficou balançada por perder o lar de uma hora para a outra. No último dia 19, a cadela e seus bebês foram largados na frente da ONG Cão sem Dono, em Itapecerica da Serra, dentro de uma gaveta, com um punhado de ração. O canil da instituição, com capacidade para 210 bichos, está superlotado, com mais de 370 cães. “Mesmo sem condições, não tivemos outra opção a não ser acolher esses novos pets”, afirma o diretor Vicente Defini.

Não é a primeira vez que uma cena dessas ocorre por lá. Essa é uma realidade comum no dia a dia das entidades do tipo e na cidade como um todo. Os descartes acontecem também em parques, praças, estradas e portas de pet shops. Nem os hospitais veterinários públicos escapam. Há quem interne o bichinho doente e não volte nunca mais.

De acordo com um levantamento realizado por VEJA SÃO PAULO em dez das principais instituições atuantes nessa causa na capital, pelo menos 500 pets são resgatados das ruas por mês, uma média de dezesseis por dia, ou cerca de 6 000 por ano. Grande parte deles já teve uma casa e foi abandonada pelo dono, segundo os profissionais dessas ONGs. Trata-se apenas de uma amostragem. O problema, de acordo com os especialistas, certamente é muito maior.

Não existem estatísticas oficiais a respeito do assunto, pois contabilizar a população de animais desamparados configura tarefa bastante difícil. “Eles costumam se concentrar em áreas de limpeza escassa e com abrigo, como terrenos baldios e construções”, afirma Ricardo Augusto Dias, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo. Além disso, alguns têm endereço fixo, mas contam com acesso à rua, outros estão perdidos e há os chamados “cães comunitários”, cuidados por diversas pessoas.

Os casos de pets que já tiveram dono, mas viraram “órfãos”, são de cortar o coração. Mesmo com a difusão da ideia de considerar os bichos como integrantes da família, algumas pessoas ainda seguem a direção de percebê-los como mercadorias, que, consequentemente, podem ser descartadas. “Já ouvi os motivos mais absurdos de tutores para desistir das mascotes, do naipe de ‘fiquei grávida’ ou ‘comecei a namorar e minha parceira tem medo’ ”, diz a ativista Luisa Mell, cujo instituto recebe cerca de 500 pedidos de resgate diariamente.

Os períodos de férias e festas de fim de ano acumulam recordes, pois os proprietários vão viajar, não têm com quem deixar os amigos de quatro patas (ou não querem gastar com os hoteizinhos) e optam pela medida extrema do descarte. “Nunca me esqueci de quando fui procurada por uma mulher que ia se mudar de casa e queria deixar comigo seu cachorro de 10 anos. Como pode jogar fora um companheiro de uma década?”, espanta-se Luisa.

No fim do ano passado, sua equipe encontrou, no bairro da Penha, uma casa com quarenta cães sem supervisão. A mulher do antigo morador havia morrido e o rapaz resolveu trancar o espaço e dar no pé. Vizinhos alimentaram o grupo até a ação de salvamento da entidade. Uma das fêmeas resgatadas, batizada de Lobinha, acabou adotada pela fotógrafa Bárbara Valente e seu marido, Rodrigo. “No começo, ela tinha muito medo, mas evoluiu bastante”, alegra-se a mulher. Não é raro flagrar uma ação irresponsável de descarte na capital.

Em agosto, a produtora de moda Juliana Rebecchi visitava seus pais, no Imirim, quando suspeitou de um carro que se movia lentamente pela rua. Demorou pouco tempo para o motorista jogar pela janela do veículo uma cadela de cerca de 1 ano. “Não acreditei no que estava vendo”, conta Juliana. Quando percebeu o sumiço definitivo do condutor, a moça apanhou a vira-lata e a levou à pet shop. Descobriu que Lara, como foi batizada, estava prenhe. Hoje, Juliana vive com o filhote Shoyu e sua mãe, além de dois gatos. “Ela ficou triste durante muito tempo, chorava e procurava pelo antigo dono”, lembra.

Nem só as mascotes sem raça definida acabam rejeitadas. “Às vezes, as pessoas compram os pets com pedigree por impulso ou para estar na moda”, acredita Vanice Orlandi, presidente da União Internacional Protetora dos Animais. “Aí, por causa de algum desvio de comportamento, gestação, doença ou idade avançada, elas os deixam de lado.” Entre os 900 moradores do abrigo no Canindé, aparece um pastor alemão bravo chamado Déjà Vu. O nome surgiu pelo fato de ele ter sido adotado e devolvido duas vezes. O agressivo american staffordshire terrier Thor, encontrado amarrado em uma árvore, também amarga o isolamento. “Dá para entender que se trata de um momento de desespero dos donos, mas nada justifica largar os bichos por aí”, diz Vanice.

O abrigo do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), da prefeitura, em Santana, não recebe qualquer animal, apenas aqueles sem dono que representam grande risco à sociedade ou se encontram em estado terminal. Ou seja, caso alguém não queira mais cuidar de sua mascote, depende de alguém topar adotá-la ou da disposição das ONGs, sempre superlotadas, para recebê-la. A dificuldade acaba incentivando o crescimento da população de rua.

“O tema é mais complexo do que se pode imaginar e envolve a sensibilidade das pessoas”, entende Rita de Cássia Maria Garcia, pesquisadora do assunto e veterinária docente da Universidade Federal do Paraná. “Os animais abandonados fazem parte, de alguma maneira, da parcela excluída da sociedade. Em um universo que se acostumou com a presença de crianças nas ruas, como avançar na questão dos bichos?”

O abandono cria um problemão de saúde pública para a capital. Os cães e gatos podem transmitir doenças, como raiva e leishmaniose, e causar acidentes. Um dos modos mais utilizados para tentar conter esse grupo é a castração, a fim de evitar a reprodução descontrolada. Protetores independentes, ONGs e o CCZ costumam promover mutirões. O órgão municipal, no entanto, só realiza as cirurgias em indivíduos com um responsável definido — no ano passado, ocorreram 805 procedimentos em cães e 1 730 em felinos.

O ativista Eduardo Pedroso atua por meio da ONG Bicho Brother com esterilizações em um cemitério na Zona Leste, ponto comum de descarte. “Não há vigilância alguma”, explica ele. Durante os dois anos e meio de seu trabalho voluntário, aproximadamente 200 bichanos foram beneficiados. Em uma conta básica, um casal de felinos pode gerar centenas de descendentes em três anos.

Na terra indígena instalada próximo ao Pico do Jaraguá, a população também sofre com a questão. Cerca de 800 cães e gatos perambulam por ali. Principalmente à noite, carros passam pelas vias ao redor para desová-los. O hábito piorou ainda mais o quadro de uma área extremamente pobre. Há ações veterinárias periódicas no local, mas insuficientes para sanar o problema.

Além da castração, a educação sobre posse responsável aparece como aspecto fundamental para atenuar a situação. Pouco adiantam os mutirões se os donos continuam largando os pets indiscriminadamente. Ao adotar, deve-se saber que os animais têm necessidades, provocam gastos, trazem comportamento imprevisível e vivem por muitos anos. “Promovemos campanhas focadas na conscientização com o objetivo de tentar mudar essa realidade”, afirma a secretária estadual do Meio Ambiente, Patricia Iglesias. No fim de 2015, por exemplo, sua pasta promoveu no Parque Villa-Lobos, em Pinheiros, um evento em que os tutores podiam tirar dúvidas sobre os cuidados com os pets.

O abandono de gatos na área da Fundação Parque Zoológico, na Água Funda, ocasionou uma crise na instituição. Há alguns anos, o espaço virou ponto de descarte de felinos. “As pessoas os deixam aqui, achando que o zoo é o paraíso das espécies, que todas serão cuidadas por nós”, conta a bióloga Kátia Rancura. “Mas não temos estrutura, e isso causa um desequilíbrio ambiental.”

Os bichanos caçam e são caçados pelos animais mantidos em cativeiro. Predam principalmente aves (acabaram com os marrecos), mas também répteis e anfíbios. Além disso, transmitem doenças por contato, através das fezes — como a toxoplasmose, que já matou dois primatas — ou mesmo da saliva, quando abocanham a comida dos recintos. Chegaram a arranhar frequentadores. Mas também caem nas garras de tipos como o lobo-guará e a harpia, uma espécie de gavião. Já houve casos de gatos que foram atacados na frente dos visitantes, causando certo choque aos frequentadores de passagem por lá.

Em 2011, a administração do lugar começou um projeto de esterilização, vacinação e microchipagem, que contemplou 200 indivíduos. Alguns deles acabaram adotados por funcionários, mas outros se mostravam selvagens demais e retornaram à mata. “Ainda neste ano, voltaremos com a ação, agora em parceria com ONGs, para ajudar a conseguir um lar para eles, e investindo na conscientização da população”, afirma Cauê Monticelli, outro biólogo da equipe do local.

Em São Paulo, o ato de abandono pode se enquadrar em uma lei estadual que estipula multa de 3 000 reais. Uma sentença mais severa, no entanto, depende de um juiz que, no âmbito federal, enquadre o caso como crime ambiental, por maus-tratos ou abuso dos bichos. Se condenado, o infrator pode pegar de três meses a um ano de cadeia. “Nunca vi alguém ir para a prisão por causa disso”, afirma Vania Maria Tuglio, promotora do Gecap, departamento do Ministério Público que investiga denúncias ligadas ao meio ambiente. “A lei muito branda incentiva essa atitude contra os bichos.”

COMO DENUNCIAR

› O abandono de animais, na esfera municipal, constatado pela Guarda Civil Metropolitana (tel. 153) configura infração administrativa. Cabe multa de 100 reais.

› No âmbito estadual, os responsáveis devem ser multados em 3 000 reais por ação da Polícia Militar. › O fato pode se encaixar na Lei Federal de Crimes Ambientais, no artigo que se refere a maus-tratos e abuso, com pena de três meses a um ano de detenção, mais multa.

› Para denunciar, ligue para o 190 da Polícia Militar, telefone diretamente para a Polícia Ambiental (tel. 0800-132060) ou entre em contato com o Gecap, do Ministério Público (gecap@mpsp.mp.br). O Disque-Denúncia (tel. 181) também pode ajudar.

› Reúna o máximo possível de evidências para identificar o infrator e provar o ocorrido, como vídeos e fotos do abandono e os dados da placa do carro, por exemplo.

Fonte: Revista Veja

 

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